sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando se deve falar de sexo com uma criança ou adolescente?

Esse é um assunto bastante abordado, e quase todos já sabem a resposta na ponta da língua: não tem idade, deve-se responder à criança sempre o que ela perguntar, sem ir além.

O que não se comenta muito, é que muitas vezes a criança entra na adolescência (e não estou dizendo puberdade, digo adolescência mesmo) sem que ela pergunte, ou que o adulto responda sem rodeios questões importantes sobre sexo e a sexualidade. Fica-se esperando o momento, os sinais, e eles não chegam, ou não se percebe que eles chegaram. E quando o adulto se dá conta e vai tentar falar do assunto com o jovem, ele mostra que já sabe, e muitas vezes que não quer mais falar disso.

Isso ocorre, muitas vezes, pela dificuldade do assunto. Os adultos evitam falar claramente sobre o tema, principalmente a partir da pré adolescência, muitas vezes por medo de que o assunto apresse o crescimento e a entrada do filho numa vida sexual ativa. Também é comum pensar que o assunto retiraria dos filhos a inocência infantil (mas há pouco tempo ele ainda acreditava em Papai Noel!). Algumas crianças perguntam claramente sobre o ato sexual, e os pais, pela dificuldade, medo e constrangimento de falar no assunto, respondem com evasivas e metáforas para crianças que já apresentam sinais de puberdade. E perdem a excelente oportunidade de ensinar que se pode falar no assunto, que a criança pode usa-lo como fonte de informação sobre o assunto (e não só os amigos, e hoje o google, buscadores e internet em geral).

Os pais, os adultos responsáveis pela educação podem, ao informar sobre questões sexuais, informar também seus valores sobre o assunto, coloca-los em discussão. Quando não falamos sobre os nossos valores, eles estão sendo passados de alguma forma, mas perde-se a oportunidade de falar sobre eles, discuti-los, ampliar a possibilidade do jovem se apropriar deles, e até de contesta-los verbalmente, e não apenas nas atitudes.

Quando não falamos, estamos ensinando que esse assunto não pode ser conversado com sinceridade em casa. As vezes não pode mesmo, pois para algumas pessoas pode ser realmente muito difícil falar no assunto com os filhos. As vezes é uma família que conversa pouco, e aí abrir espaço de conversa justo com esse assunto fica muito mais difícil mesmo, e até artificial. Se esse for o caso, mas houver uma preocupação de que esse canal de comunicação se abra, vale pedir ajuda para algum outro adulto próxima ao jovem, que assuma esse papel de informar.

Objetivamente falando, a partir de uns 10 ou 11 anos, quando a criança já está na puberdade, ou com muitos amigos nela, com alguns colegas já falando e se perguntando sobre o assunto, livros escolares abordando o corpo humano, a fecundação, seria importante falar no assunto, explicar com clareza questões referentes as transformações do corpo, sexualidade, ato sexual. Entrar no assunto em momentos propícios, em que o assunto se encaixe. Perguntar o que o jovem sabe pode ser legal, pois valoriza o conhecimento dele, ajuda o adulto a ter uma idéia do que ele já sabe, e informar, corrigir informações erradas, ouvir o que o jovem pensa a respeito do assunto, contar o que se pensa, enfim, uma conversa, onde as partes ouvem, falam, trocam.

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