quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Se o jovem é mais fechado, como falar dos assuntos referentes ao sexo e a sexualidade?

Algumas crianças, pré adolescentes e adolescentes são mais fechados, e quase não perguntam sobre o assunto. Nesses casos, os pais costumam ficar perdidos entre forçar uma conversa, que pode ser invasiva e ter um efeito ruim, ou esperar que o jovem se manifeste, o que pode não ocorrer, e gerar preocupação dos pais por não sentirem que conseguem orientar seus filhos nesse assunto.

Nesses casos, vale ir tentando abrir brechas, devagar e com delicadeza.

É muito importante abordar o assunto sem invadir a intimidade. Aliás, essa é uma dica que vale sempre. Falar do assunto, abordar os conteúdos sexuais de forma mais científica, genérica. Falar o correto, dar a informação completa, mas sem fazer disso uma confidência entre amigos.

 Livros a respeito também podem ajudar. Existem muitos nesse tema. É sempre importante que o adulto leia o livro antes, para conhecer e avaliar se está de acordo com o conteúdo do mesmo. "Puberdade só para garotas", da autora Shushann Movsessian; "Puberdade só para garotos", do autor Geoff Price, ambos da editora Integrare, para pré adolescentes e adolescentes até 13 anos; "Sexualidade, Um guia de viagem para adolescentes", da autora Cristina Vasconcelos, editora Martins Fontes, para adolescentes a partir dos 13, 14 anos; e "Altos papos sobre sexo", da autora Laura Muller, editora Globo, para qualquer idade, são sugestões de livros sobre o tema. Através do livro o adulto pode dar as informações corretas, e mostrar que está preocupado em informar o jovem sobre o assunto. E o adulto pode fazer um comentário ou outro sobre os temas discutidos no livro. Sempre com o cuidado de não invadir ou constranger.

É importante, nesses casos, tentar entender um pouco porque a criança ou o adolescente se fecham.

A parir dos 6 anos, mais ou menos, a criança entra numa fase em que ela se fecha, aparentemente, para esses assuntos. Aquela criança pequena que perguntava sobre tudo de forma até engraçada (porque eu não tenho pipi? meu pipi serve só para fazer xixi? mesa tem pipi? quando crescer posso casar com meu pai?, só para dar alguns exemplos), dá lugar a uma criança que quase não faz mais perguntas sobre o assunto, que não quer chegar perto do sexo oposto (formam o clube do bolinha ou da luluzinha), que demonstra vergonha e nojo quando se fala em beijo, namoro e coisas do gênero. Esse comportamento dura até o início da adolescência, e pode fazer com que durante essa fase a criança não demonstre muito interesse no assunto, e que as vezes até pareça que ela não quer falar sobre isso. Porém, com a entrada da puberdade, é importante que o adulto possa tomar uma postura mais ativa e volte a informa-la sobre as questões relativas a mudança do corpo e as questões sexuais em geral. Até mesmo que o adulto possa fazer uma certa mediação entre um corpo que se desenvolve sexualmente e uma postura totalmente infantil, de quem não quer lidar com esse crescimento ainda.

Também pode ser que a criança ou adolescente mais fechado, esteja buscando um distanciamento dos pais para conseguir se constituir como um indivíduo separado (dos pais), com pensamento próprio. Esse processo de diferenciação é muito importante na adolescência. Os pais não precisam se assustar e lutar contra ele, mas não precisam deixar de orientar o adolescente por isso.

O jovem mais fechado também pode estar num processo de busca de intimidade, que faz parte do processo de diferenciação descrito acima, buscando manter em segredo as suas vivências, sentimentos e pensamentos. E essa busca é enriquecedora para o jovem, embora muitas vezes angustiem os pais, que principalmente nessa fase gostariam de poder acompanhar de perto tudo o que acontece com o adolescente.

Crescer psiquicamente é uma tarefa bastante complexa, especialmente na adolescência, onde o jovem vai se preparando para ser um adulto independente, que pensa e avalia as situações por si mesmo, com autonomia e responsabilidade. E é normal que os pais se angustiem e se preocupem em ajudar no êxito desse processo. Porém existe aqui uma dificuldade inerente a situação: se o adulto participa de tudo e controla tudo, não dá espaço para o adolescente crescer e desenvolver essa autonomia, virar adulto. Se o adulto se abstém do processo, para que o jovem cresça, sofra a consequência de suas ações, ele estará deixando de cuidar de um indivíduo que ainda precisa de cuidados, orientações e principalmente limites. Como proceder? Não existe fórmula ou resposta certa, mas o adulto que presta atenção no jovem e vai aos poucos informando,  delegando tarefas, responsabilidades e possibilidades de escolha, e observando como o adolescente se sai, e vai corrigindo as falhas através de conversas, novas informações, recolocação de limites, e novos desafios pode estar mais próximo de conseguir equacionar de um lado a liberdade, o direito a individualidade e intimidade e do outro, o cuidado, limites e uma observação atenta.

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